Quarta-feira, 21 de Novembro de 2007

Scolari

Já sei que vêm aí os profetas da desgraça, mas a verdade é esta, Scolari nunca falhou. Chegámos à final do Europeu, qualificámos para o Mundial, fomos às meias-finais do Mundial, e hoje qualificámos para o Europeu.
As pessoas têm uma péssima memória, mas eu sei o que foram duas dezenas de anos de frustrações, de qualificações falhadas contra equipas como a Bélgica, a Suíça e a Ucrânia, de presenças nas fases finais desastrosas, com casos Saltillos e derrotas vergonhas com os EUA. Por isso quando oiço falar em responsabilidade, quando oiço pessoas dizerem que Portugal tinha a responsabilidade de passar, de jogar melhor, de ganhar a este e àquele, blá, blá, blá, blá, blá, blá, só me dá vontade de torcer o pescoço a alguém. O problema da selecção portuguesa foi sempre este, o de falharmos quando tínhamos responsabilidade; o de sermos invariavelmente eliminados quando éramos favoritos. Ora, com Scolari, as coisa mudaram definitivamente. Com classe ou sem classe, a verdade é que as coisa mudaram, cumprimos sempre, não temos vitórias morais, vencemos realmente, qualificamo-nos para as fases finais e vamos longe nestas fases finais.
Outra coisa, não é verdade o que se diz aí de que antes não tínhamos grandes selecções. A selecção de Saltillo, por exemplo, era uma grande equipa, tinha Futre, Pacheco, Sousa, Rui Águas,  Diamantino, Carlos Manuel, Bento e por aí adiante. A selecção que Carlos Queirós, Artur Jorge e António Oliveira treinaram era um misto de duas equipas que tinham sido campeões do Mundo de júniores, com Figo, Rui Costa, Paulo Sousa, João Pinto, Fernando Couto, Jorge Costa, Vítor Baía e também por aí adiante. E foi o que se viu. O único seleccionador, para além de Scolari, que cumpriu  foi  Humberto Coelho. De resto, todos falharam nos últimos vinte e quatro anos.

publicado por Mário Azevedo às 22:48

url do post | comentar | favorito
1 comentário:
De Mário Azevedo a 24 de Novembro de 2007 às 17:41
Desculpa, mas só agora vi este comentário. Tenho pouco tempo para responder, por isso vou ser sintético, mas depois volto a isto no próximo post, até porque acabei de ler o teu novo post, onde, estranheza das estranhezas, não rebates uma única posição do meu último texto:

1 – Tens razão, li mal;
2 – Quando eu digo que nunca falhou refiro-me aos objectivos. Todos os que ele se propôs foram alcançados;
Quanto à questão do favoritismo o que digo, de facto é: «o de falharmos quando tínhamos responsabilidade; o de sermos invariavelmente eliminados quando éramos favoritos». Ou seja, falhávamos (1) quando tínhamos obrigação de vencer e (2) quando éramos favoritos, e isto independentemente do ranking. Obviamente se formos apenas pelo ranking nunca seríamos favoritos, na medida em que éramos sempre eliminados (já agora gostava de confirmar essa história da Suíça, lá irei).
3 – É claro que o Scolari não foi a única variável, o que eu mostro é que Scolari foi o melhor seleccionador português das últimas décadas.

Comentar post

pesquisar

 

Dezembro 2012

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
25
26
27
28
29
30
31

textos recentes

... o pobre desconfia

Sacudir a água do capote,...

A minha idade

As coincidências

Procissão das cinzas em V...

Zeca Afonso

A mente não é assim tão p...

Lana Del Rey

A praxe tal como eu a vej...

A Árvore da Vida

arquivo

Dezembro 2012

Setembro 2012

Março 2012

Fevereiro 2012

Outubro 2011

Agosto 2011

Julho 2011

Junho 2011

Maio 2011

Junho 2010

Maio 2010

Janeiro 2010

Outubro 2009

Agosto 2009

Junho 2009

Maio 2009

Janeiro 2009

Dezembro 2008

Novembro 2008

Outubro 2008

Dezembro 2007

Novembro 2007

Outubro 2007

Setembro 2007

Agosto 2007

blogs SAPO